Snipe Tuning Guide - tradução livre do texto contido no site da North Sails

 

EQUIPAMENTO

A vela é um esporte no qual o equipamento é muito importante. Para atingir os melhores resultados possíveis devemos "otimizar" ao máximo nosso equipamento dentro dos limites permitidos pela Classe. Isto envolve uma visão profunda de todo nosso equipamento dentro de um enfoque "sem compromisso".

O casco:

Certifique-se que seu casco está dentro do peso mínimo (381 libras) e que está tão liso quanto possível. Preencha e limpe todas as imperfeições do casco. Preste atenção na área próxima do "bailer".

A maior parte dos velejadores de ponta afinam as últimas 4-5’ das bordas e da interseção entre a popa e o casco. Isto permite à água uma fuga mais suave e proporciona um planeio mais fácil em condições de bom vento.

O mastro:

O mastro e sua regulagem são provavelmente as coisas mais importantes para uma boa e consistente velocidade do barco. Atualmente existem quatro tipos de mastros mais utilizados: Cobra II, Side winder, Proctor Miracle e Sidewinder Junior. O Cobra II e o Sidewinder encaixam-se na categoria dos mastros mais rígidos, enquanto o Proctor Miracle e o Sidewinder Junior são chamados de mastros "suaves".

É importante saber que dois mastros não são necessariamente idênticos e cada barco precisará de uma ajustada final para atingir sua melhor regulagem. É preferível ter cruzetas ajustáveis (comprimento e angulação) pois você geralmente desejará fazer alguns ajustes para incrementar a velocidade do barco.

Em muitos mastros, especialmente nos modelos mais rígidos, você desejará lixar a parte da frente do pé do mastro. Isto ajudará a induzir a curvatura do mastro, especialmente para ventos fracos.

Retranca e Pau automático:

A maior parte dos barcos utilizam hoje o sistema de pau automático e nós recomendamos usar este sistema. Ele proporciona um meio muito mais fácil e rápido de armar o pau, podendo desarmá-lo num "piscar de olhos". Você poderá manter o pau armado durante quase toda a "perna", ao contrário do sistema convencional, no qual você precisa tirar o pau e guardá-lo antes de iniciar o contravento.

Bolina:

As regras da classe permitem afinar a borda até 1'' de distância da extremidade. Você deve certificar-se que sua bolina está afinada nos bordos de ataque, fuga e de baixo. Sugerimos um "shape" tipo projétil para o bordo de ataque e um corte mais em "V" para o de fuga.

Sempre lave sua bolina após velejar em água salgada, secando-a completamente. Isto evitará a corrosão.

Você poderá querer cortar fora parte do pedaço superior da bolina que permanece dentro do barco enquanto esta se encontra toda abaixada. Isto torna-la-á mais leve e mais fácil para o proeiro levantá-la. Barcos acima do peso podem perder algum com este corte na bolina. Cheque as regras da SCIRA para saber quanto da bolina pode ser cortado.

Disposição dos controles:

O "layout" das regulagens é livre no Snipe. Sugerimos deixar a maior parte dos controles com o proeiro, com exceção do burro e do traveler. Isto permite ao timoneiro concentrar-se no rumo, especialmente nas montagens de bóias mais engarrafadas.

A Tripulação:

Tripulações competitivas devem pesar entre 275 e 325 libras. Geralmente você pode velejar mais facilmente em águas tranqüilas do que com ondas. Tripulações mais pesadas devem regular seus barcos para obterem mais potência (veja como abaixo), enquanto tripulações leves devem velejar com velas com menos bolsa.

 

REGULAGEM BÁSICA PARA VENTO MÉDIO

 

. Siga estes passos para regular seu barco para ventos entre 8 e 12 nós.

Com o mastro no chão, ajustamos o comprimento e ângulo das cruzetas. Estas duas regulagens determinam quanto o mastro curvará e quanta potência daremos para as velas, além de definir quão fácil será dar mais potência no vento fraco e retirá-la no vento forte. Antes de posicionar o mastro, cheque os seguintes itens:

 

Comprimento das cruzetas: Esta medida é tomada a partir do mastro até o ponto da cruzeta no qual se aloja o brandal. O padrão para o ajuste desta regulagem fica entre 15 1/2" e 16 5/8". O comprimento das cruzetas, inicialmente, afeta a curvatura lateral do mastro. Após montar o mastro e estar velejando, você deverá olhar a parte da frente do mastro e certificar-se que está reto. Isto é muito importante, se o mastro está curvado para sotavento no meio, encurte as cruzetas até que fique reto. Se o mastro pende para barlavento, aumente o tamanho das cruzetas até que seja endireitado.

 

Ângulo das cruzetas: O ângulo das cruzetas (medido de ponta a ponta) diz respeito ao limite até o qual o mastro curvará. Tripulações pesadas deverão ter uma medida maior deste ângulo (mastro mais rígido), enquanto tripulações leves devem velejar com uma medida menor (mastro mais flexível). O padrão de ajustes desta regulagem varia de 27 1/2" até 30 1/2", medidos de brandal a brandal com as cruzetas fechadas no seu ângulo mínimo. Certifique-se de que o ângulo de cada cruzeta seja o mesmo, de modo que o mastro curve do mesmo nos dois bordos.

 

Localização do "pé" do mastro: Você deverá ter seu mastro na posição mais à proa possível permitida pelas regras que é de 60" à frente do "stem" (tronco?) do barco. O "stem" é definido pela interseção da proa com o deck (um ponto no deck pouco atrás de sua parte mais à frente). Meça para trás deste ponto 60" e projete tal medida para baixo e ajuste de tal modo que o centro do mastro fique nesta posição.

 

Estai de proa: Cheque que seu estai de proa esteja com o maior comprimento permitido ( que o mastro não toque a parte de trás do seu encaixe. Fixe um pedaço de elástico leve 15" acima e prenda-o na proa de modo a manter o estai esticado quando a buja estiver tensionada. Isto ajudará a evitar que o pau engate durante os jaibes.

 

Ângulo do "pé" do mastro: Cheque se a parte inferior do mastro está perfeitamente perpendicular com suas paredes. Qualquer desvio poderá fazer com que o mastro não desenvolva a pré-curvatura (prebend) ou desenvolva-a em demasia. Se depois você achar que o mastro não obtém prebend suficiente lixe a parte frontal inferior do mastro de modo a que ela possa inclinar-se para a frente e permitir maior curvatura.

 

Pontos de fixação dos brandais: Para a maioria dos barcos posicione os brandais na distância máxima permitida de 70" a partir do stem. Isto permite um ângulo de abertura da retranca maior na empopada e aumenta a área vélica projetada. Se você tiver problemas para obter potência suficiente mova os brandais um pouco para trás o que tornará o mastro um pouco mais rígido.

 

Ponto de fixação da buja: Posicione-a na posição mais à proa permitida, que é de 11" para trás do stem. Isto ajuda a aumentar o plano vélico e abre o canal de vento entre a buja e a vela grande.

Agora, posicione o mastro, fixe o estai de proa, os brandais, as regulagens de mastro à vante e à ré e prenda uma trena de pelo menos 25' à adriça da vela grande, içando-a até o máximo e prendendo-a .

    1. Cace a regulagem de mastro à frente até que os brandais estejam ligeiramente esticados e o mastro esteja ainda reto. Neste ponto faça sua primeira medição, utilizando como referência a interseção da popa com o deck. A medida deverá girar entre 21'1" e 21'6".
    2. Agora, adrice a buja e tensione-a até que o tope do mastro fique a uma distância entre 21'4" e 21'9". A altura do deck varia de construtor para construtor. Os barcos phoenix e Mclaughlin usam rakes entre 21'4" e 21'6", enquanto os Perssons estão entre 21'6" a 21'9". Certifique-se que as regulagens de mastro à frente e para trás não estão tensionadas para tirar tais medidas.
    3. Agora, vamos verificar a quantidade de prebend. Com as regulagens frente/trás sem tensão segure a adriça da grande, ou a trena, junto ao garlindel. Buscamos um prebend de cerca de 1 1/2" na altura das cruzetas.
    4. Neste ponto cheque a tensão dos brandais com um tensiômetro (Loos Model B). Deverá estar entre 160 e 240 libras.
    • Se você está no alto destes limites e o mastro tem 1 1/2" de prebend ou mais folgue a adriça da buja e mova os brandais meio ponto para cima e retorne à mesma medida de caimento (rake).
    • Se você está na zona inferior destes limites e o mastro tem menos de 1 1/2" de prebend, tensione os brandais meio ponto abaixo e retorne ao mesmo rake.
    • Se você está no meio da escala e tem muito ou pouco prebend, deve aumentar o comprimento das cruzetas para induzir maior curvatura, ou reduzí-las para obter a redução desejada.

(note que é muito importante utilizar macacos com várias opções de altura para poder obter o ajuste fino da tensão dos brandais)

    1. Agora olhe o lado de trás do mastro e certifique-se que está perfeitamente reto lateralmente. Se não estiver você deve remover os calços de um lado e adicioná-los no outro até que o mastro fique reto. O mastro deve permanecer bem calçado no deck, muito embora sem deixar de poder mover-se livremente para a frente e para atrás.
    2. Como último passo, devemos marcar a posição NEUTRA do mastro. Com a regulagem frente/trás solta e o mastro em sua posição natural, faça uma marca nos lados do mastro e suas correspondentes em cada lado no deck. A partir daí faça marcas a 1/4" para frente e para trás destas marcas no deck. Se você tem um mastro extra-suave faça a marca de trás a 3/8" da posição neutra.

Agora você está pronto para velejar em ventos médios. A primeira coisa a fazer antes de ir velejar é checar a curvatura lateral do mastro. Manter o mesmo reto lateralmente (vide Comprimento das cruzetas) é crítico para obter boa velocidade.

Com o barco nivelado você deve ter um leme absolutamente neutro. Você deve conseguir segurar o leme apenas com a pressão dos dedos na extensão. Se o barco tem tendência de arribar deve-se diminuir o rake, e, se tem tendência de orçar devemos aumentar o rake, puxando-o mais à frente.

 

O QUE FAZER EM:

 

Ventos fortes: A regulagem acima é básica para qualquer propósito e funciona bem em quase todas as condições. Em ventos fortes os velejadores de ponta costumam baixar os pontos dos brandais de 1/2 a 1 buraco par a conseguir maior tensão no conjunto. A adriça da buja é caçada até o mesmo ponto e o caimento permanece o mesmo. Deve-se puxar o mastro até a marca à popa do neutro para tensionar a testa da buja e conter a força do burro. Esteja certo de soltar a regulagem de mastro atrás na bóia de contravento quando estiver realmente ventando realmente muito, ou você poderá ter seu mastro invertido.

 

Ventos fracos: Quando a tripulação não estiver na escora mantenha os brandais na regulagem básica mas empurre o mastro para a frente no deck. Isto ajudará a folgar a testa da buja tornando-a mais cheia e reta, além de abrir a valma da grande, tornando-a mais fácil para regular na escota.

 

REGULAGEM DAS VELAS

GRANDE:

Escota: A escota da vela grande é o "carburador" de um snipe e deve ser ajustada a todo momento para manter o barco em boa velocidade. A idéia é manter a tala superior paralela à retranca durante todo o tempo. Em ventos inferiores a 7 nós devemos ter biruta da tala superior voando durante cerca de 70% do tempo. Se a biruta está voando de modo constante a vela estará muito solta e se estiver caída a vela estará muito caçada. Regular a vela é um exercício constante de soltar e caçar a vela de acordo com a força do vento.

Em ventos acima de 7-10 nós a biruta da tala superior voará durante todo o tempo e a tala deverá manter-se paralela à retranca.

Cunningham: A regulagem da testa da grande controla a curvatura horizontal da vela grande, levando a bolsa para a frente ou para trás. Mantenha-a solta até que a vela comece a ficar com muita potência, a partir de quando deveremos começar a caçar a testa de modo a mover a abrir a valuma movendo a bolsa para a frente.

Esteira: A esteira deverá estar sempre caçada, mesmo nos ventos mais fracos, quando velejando no contravento. Nos ventos folgados solte-a em torno de 2 a 3" para tornar a base da vela mais potente.

Burro: O burro é utilizado para manter a retranca baixa quando a vela está solta e para vergar o mastro e tornar a vela mais chata nos ventos fortes. Nós mantemos o burro completamente solto até que necessitemos escorar para valer. Aí devemos manter os controles à mão, de modo a poder soltar o burro de acordo com as variações de vento e poder manter a tensão da valuma. Assim que o vento aumente mais nós deveremos puxar o mastro para a marca de trás no deck e caçar mais o burro. Isto curvará o mastro, achatando a vela e nos permite soltar e caçar a vela nas rajadas sem perder tensão na valuma da mestra e na testa da buja.

Nos folgados devemos usar o burro para manter a tala superior paralela com a retranca. Solte o burro substancialmente antes de alcançar a marca contravento de modo a não quebrar o mastro nos ventos fortes. Em muitas vezes, principalmente vento fraco sem ondas, o burro pode ser solto algo mais do que a posição de paralelo à tala superior, o que proporcionará velejar um pouco pela valuma. Em ventos fortes esta prática pode deixar o barco muito instável, levando-a a capotar.

Traveler: Na maior parte das condições, mesmo no vento forte, a tendência atual é manter o traveler no meio do barco. Certifique-se que sua escota esteja regulada de modo que o "Y" dela entre ligeiramente pelo moitão de trás da retranca. Esta regulagem permite manter a retranca no centro mesmo com pouco vento, sem que se coloque muita tensão na valuma.

Assim que o vento aumente e o barco passe a ficar com excesso de potência, você pode encontrar ajuda soltando o traveler até que o leme fique balanceado e o barco reto.

Outros preferem velejar com tensão no burro. Com tensão no burro você mantém a retranca baixa e a tensão da valuma quando a escota é solta. Certifique-se de que o mastro esteja na marca de trás quando for dar tensão no burro, para que se mantenha a testa da buja tensionada.

Regulagem do mastro/frente/trás: O "pusher/puller" controla a curvatura na parte inferior do mastro e tem muito efeito na tensão do conjunto. No vento fraco (tripulação no interior do barco), devemos empurrar o mastro para a frente, até a marca mais à proa no deck. Isto curva o mastro e abre a valuma da vela grande. Isto também afrouxa a testa da buja, engordando-a de modo a obter mais potência para o vento fraco.

Assim que a tripulação esteja sentada no lado de barlavento, devemos mover o mastro para trás, até a marca central no deck, de modo a dar força às velas. Assim que o vento for aumentando devemos ir puxando o mastro para trás para contrabalançar as forças do burrinho.

Um detalhe aqui, entre mastros moles e duros. Assim que o vento fique realmente forte (+ de 15 nós) os donos de mastros mais moles devem manter os mastros mais atrás (na marca de trás). Isto se deve ao fato de que as forças do burro nos mastros mais moles podem causar curvatura muito grande na parte inferior e o mastro deve ser puxado bem para trás de modo que se evite que os mastros mais moles fiquem com excesso de curvatura.

Nos mastros mais duros devemos deixá-los na marca central no deck quando o vento aumenta. Os mastros mais duros não curvam tanto na parte inferior e precisam retornar para a frente quando o vento aumenta para ajudar a achatar a vela grande.

 

BUJA:

Escota: Para ajudar a verificar a regulagem da buja, as velas NS têm uma biruta de valuma situada no primeiro terço descendente da valuma e uma fita com a posição padrão no punho da escota. Para começar regule o ponto da escota da buja de modo que a escota fique alinhada com a marca existente no punho da vela, desta posição você deve partir para efetuar a regulagem fina de modo que as birutas da testa caiam ao mesmo tempo. Mova o ponto para a frente se a biruta do tope estiver caindo primeiro. Mova-o para trás se a biruta inferior cair antes.

Após encontrar a posição correta do ponto da buja, devemos regulá-la de tal modo que a biruta da valuma fique sempre prestes a "estolar". Você deve ajustar a tensão da escota constantemente assim que o vento aumente e diminua, de modo a manter a biruta da valuma sempre prestes a "estolar".

Testa: A testa da buja deve ser tensionada apenas o suficiente para deixar apenas pequenas rugas na parte da frente da vela. Em condições de muito vento você deve adicionar mais tensão de modo a tornar a testa mais reta e abrir a valuma.

Adriça: Certifique-se que sua adriça tenha pelo menos 10-12" de curso. Você deve certificar-se que ela tenha uma marca na posição de adriçada para que se possa facilmente visualizar nas montagens de bóias.

No popa devemos soltar todo o curso da regulagem da adriça, para que a buja possa ficar o mais possível afastada para barlavento. Quando no través com o pau, você verá que o mais rápido é caçar a adriça de 1/3 a 1/2 do curso para tensionar a testa e tornar a vela mais potente e fácil para timonear.

BOA VELEJADA!!